
Hoje completa uma semana que estou cercado de uma natureza esplêndida, repleta de um ar puro que limpa tudo aquilo que já não é mais bem-vindo, e convicto de que fiz a escolha certa ao vir para o Valle Las Trancas.
Desde que comecei a viajar, gosto de prestar atenção nos sinais que vou encontrando ao longo das minhas caminhadas. Além disso, gosto de deixar rastros da minha jornada para quem ainda virá; por isso, preparei logo abaixo um roteiro pelas águas cristalinas por onde passei, desde Las Trancas a Lleuques, trazendo dicas essenciais de o que fazer no Verão em Nevados de Chillán.
PRIMEIROS PASSOS: Onde o caminho começa a falar comigo

Era meu primeiro dia em Las Trancas quando vi a mensagem ao lado: ‘Sigue tu camino’. Resolvi escutá-la e segui caminhando rumo a uma trilha ainda desconhecida.
Acredito na potência dos encontros, seja através de frases, pessoas, objetos ou paisagens que passam em nosso caminho. E foi assim, seguindo a indicação de uma pessoa conhecida, que encontrei as águas da Puente Marchant: um rio de águas cristalinas que fica a apenas 25 minutos de caminhada das Cabañas Bosque las Trancas, um lugar muito especial onde estou hospedado.
Neste artigo, vou falar sobre duas experiências superespeciais que vivi aqui nas redondezas e já vou dando logo um spoiler: não escrevo sozinho, pois sou habitado pelo que me atravessa. Portanto, vou contar a seguir um pouco duas paisagens que ainda estão bastante vivas dentro de mim: Puente Marchant e Las Turbinas.
PUENTE MARCHANT: um local perfeito para um passeio em familia
A Puente Marchant fica no Valle Las Trancas e o acesso é muito simples. Para chegar até as suas águas cristalinas, basta seguir por uma trilha muito tranquila de apenas 5 minutos. É um trajeto curto e fácil de fazer, ideal para todas as idades.


Ao chegar vindo da direção do Valle Las Trancas, você vai avistar um ponto de ônibus logo antes de atravessar a ponte principal. Entre na estradinha de terra (que você vê na foto ao lado) que vai contornando a ponte.
Atenção: à direita, você verá uma outra ponte menos estruturada — o caminho não é por lá! O trajeto correto é bem intuitivo: basta seguir a estradinha de terra até encontrar uma placa e um espaço para estacionar, caso esteja de carro. É um programa excelente para fazer em família, já que o nível de dificuldade é bem baixo e acessível.

Pronto! Agora é só desfrutar desse paraíso de águas cristalinas. Você pode fazer um piquenique, levar coisas para comer e beber, mas não esqueça de levar todo o seu lixo de volta! O próximo destino em que vamos mergulhar é um dos meus favoritos até agora: as cachoeiras de Las Turbinas.
PRÓXIMA PARADA: as aguas cristalinas de Las Turbinas
O parque Las Turbinas fica em Los Lleuques, o que dá mais ou menos 30 minutos de carro de Las Trancas. A paisagem é linda e você nem vê o tempo passando. Como estava sem carro, peguei uma carona após 10 minutos de caminhada — por aqui, a prática da carona é bastante comum e segura.

Para quem vai de carro, há duas opções: estacionar do lado de fora ou entrar no estacionamento oficial pagando o valor de 6.000 pesos chilenos. Se você optar por parar do lado de fora, terá uma pequena caminhada de apenas 10 minutos por uma trilha super sinalizada. Depois, chegando ao estacionamento principal, são mais 10 minutos de caminhada bem leve até a cachoeira,
Informação importante: A cachoeira de Las Turbinas funciona todos os dias durante o verão, das 10h às 19h30.

No estacionamento: você encontra uma estrutura de apoio muito prática: há um local que vende fast-food, com hambúrgueres, batatas fritas e outras opções, além de uma loja de souvenirs com artesanato e lembranças locais.
Depois que chegar a esse paraíso, é só mergulhar em suas águas transparentes e admirar a beleza da cachoeira — mas lembre-se: aprecie a queda d’água mantendo uma distância segura, sem se aproximar demais. Um detalhe importante: de todos os rios que visitei por aqui até agora, essa foi uma das águas menos geladas que senti, o que torna o banho ainda mais especial.

Sentado em volta da cachoeira, conheci um senhor chileno chamado Juan, que cantava uma musica do Roberto Carlos. A conexão foi imediata: logo fiz amizade com ele e, para minha surpresa, a casa dele ficava bem perto da minha — carona de volta garantida! Enquanto admirávamos a força da cachoeira, ele me falava sobre os mistérios da vida.
Como bem diria Gilberto Gil, ‘mistério sempre há de pintar por aí’. E aqui vai a surpresa que eu ainda não havia revelado: antes mesmo de alcançar as Turbinas, me deparei com um outro rio de águas cristalinas. Por um segundo, achei que estava me desviando, mas a vida tem dessas: as pedras no caminho podem ser boas surpresas e, às vezes, o desvio nos presenteia com os destinos mais bonitos. Foi assim, por acaso e pelo encontro, que descobri Al Salto.
MEU ENCONTRO COM AL SALTO: quando as pedras no caminho viram boas surpresas
Eu seguia em direção à cachoeira de Las Turbinas quando vi algumas pessoas saindo dessa trilha de terra que você vê aqui ao lado. Aproveitei para perguntar se estava no caminho certo e eles me explicaram que as Turbinas ainda estavam um pouco longe, mas logo emendaram uma notícia muito melhor: ali de onde eles vinham, havia um rio de águas cristalinas, um lugar tão lindo que eu não podia deixar de conhecer.

A trilha para o rio é curta — cerca de 8 minutos de caminhada leve. O único ponto de atenção é uma escada em certo trecho da descida, que pode ser um desafio para quem tem mobilidade reduzida. No entanto, é um passeio bem familiar; cruzei com muitas crianças e grupos pelo caminho, então é bem acessível. Abaixo, segue uma foto dessa paisagem exuberante de El Salto.

No fim, essa trilha entre a Puente Marchant, as Turbinas e o El Salto me mostrou que o destino é apenas uma parte do caminho. Se eu não tivesse parado para ouvir aquelas pessoas, teria seguido o roteiro, mas perderia a experiência. Que possamos caminhar sempre assim: receptivos aos desvios e aos encontros que nos potencializam e transformam nosso olhar sobre o mundo.
